Skip links

Pt. Barca | “Marinho impede de ver e comentar barquenses no Facebook”

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, chegaram ao PV duas reclamações que se juntam a outras que já haviam sido recebidas ao longo dos últimos meses. São barquenses que se estão a queixar de não terem a possibilidade de comentar publicações do Município nem sequer de ver os posts de Facebook do presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Augusto Marinho.

 

Esta indignação surge na senda de uma decisão polémica do Facebook, a 31 de março deste ano, ao ter criado a possibilidade de “os utilizadores, marcas e páginas do Facebook passarem a poder definir quem é que pode comentar diferentes publicações. O objectivo é dar mais controlo aos utilizadores”, de acordo com o Público, de 31/03/2021.

 

Um dos indignados é José (nome fictício para proteção de fonte), barquense impedido de comentar no Facebook do município.

Segundo este, “o presidente faz isso porque tem medo de comentários que possam revelar a sua falta de caracter, pois se assim não fosse não teria medo”.

Já para o barquense Jorge (nome também fictício para proteção de fonte), que diz ter sido “impedido de ver e de comentar as suas publicações”, o problema é “que Augusto Marinho não aceita a crítica nem tolera que o contrariem, não sendo um democrata a sério”.

 

Por seu turno, Carlos diz já ter sido alvo de vários comentários apagados, “tanto na página de Augusto Marinho como na de José Alfredo, do PSD e do Município”.

Por outro lado, Pedro (nome fictício para proteção de fonte), que diz ter sido bloqueado no “perfil de Marinho e também impedido recentemente de comentar na página do Município”, alerta que “pessoas com cargos públicos e políticos, em democracia, têm que estar sujeitos e habituados à crítica”. Este barquense refere que vai fazer queixa às autoridades nacionais de comunicação sobre o facto de ter sido “impedido de comentar na página do seu próprio município”.

Para Carlos, Augusto Marinho “está agora a tentar corrigir esse afastamento que fez às pessoas porque estão a chegar as eleições”. No entender deste barquense, “Marinho até mudava de rua ou fazia de conta que atendia o telefone só para não falar com as pessoas a quem prometeu empregos e estradas. Agora até no Facebook responde às pessoas de forma amável, coisa que não fez durante quatro anos”.

Ao todo, o PV já recebeu mais de 15 queixas em dois anos sobre este facto, ainda que especificamente sobre a questão da impossibilidade de comentar na página do Município tenham sido apenas duas as queixas, e recentes. Jorge acha isto inadmissível, pois “nunca aconteceu com Vassalo Abreu, nem quando entrava em discussões com outros barquenses. Já o Marinho impede ou manda impedir vários barquenses no Facebook”.

 

De acordo com o jornal O Público, de 28 de janeiro de 2018, os acórdãos de tribunal sobre esta matéria são claros: as redes sociais são de uso privado. Nas páginas pessoais os seus proprietários podem excluir ou incluir quem entenderem. Todavia, uma página de um Município, por ser uma entidade pública e de interesse geral, ainda que a sua vinculação à plataforma seja de relação privada, está condicionada ao escrutínio, presta serviço público e está obrigada a agir sob o lema da igualdade de oportunidades, de forma totalmente democrática e transparente.

Este fenómeno está a acontecer em várias partes do mundo depois da alteração promovida pelo Facebook a 31 de março. O Jornal Revide, no Brasil, dá conta do município (prefeitura) de Ribeirão Preto que chegou a impedir publicações com palavras associadas a “buracos” (de estradas), para impedir o alastramento de críticas nesse sentido.

 

Também de acordo com o Jornal Observador, têm sido recorrentes as queixas sobre esta matéria, de um lado e de outro. Por exemplo, os Repórteres sem Fronteiras queixam-se de o Facebook não impedir mensagens de ódio. Por outro, cidadãos queixam-se de censura em certas páginas. Desde 31 de março, altura em que o Facebook criou a possibilidade de limitar conversações por pessoa em páginas, que o fenómeno começou a crescer exponencialmente.

Comments are closed.