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Encerramento de fronteiras: AECT Rio Minho lança documentário ‘Confinados no rio Minho’

Trabalhadores, empresas e população em geral do território do rio Minho continuam a sofrer um duplo impacto na sua rotina diária: o da Covid-19 e o encerramento de fronteiras entre o Alto Minho e a Galiza. Por detrás das perdas económicas, das viagens de centenas de quilómetros a mais para trabalhar e dos gastos em combustível e de tempo, há histórias pessoais bastante emotivas que são o exemplo do que acontece aos cerca de 6000 trabalhadores afetados por esta medida. Neste sentido, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho dá-lhes voz, através de um documentário denominado ‘Confinados no Rio Minho’, e que será lançado nas próximas semanas.

Neste momento, já está a circular um teaser nas redes sociais da Deputação de Pontevedra, do Smart Minho e das autarquias do AECT.

https://youtu.be/UB8k8AJ0tXc

Com esta iniciativa pretende-se atribuir um rosto e um nome às diferentes dificuldades causadas pela existência de apenas um ponto de passagem autorizada em regime permanente (24h) entre o Alto Minho e a Galiza.

O objetivo é difundir e partilhar o documentário junto do maior número de pessoas e autoridades de Portugal e de Espanha, assim como com a Comissão Europeia, pelo que será legendado em português, galego e inglês.

O documentário ‘Confinados no Rio Minho’, produzido pelo AECT foi elaborado pelo diretor, realizador, guionista e ator Suso Pando. Com uma duração aproximada de 60 minutos e, com imagens do território transfronteiriço, recolhe testemunhos na primeira pessoa de quem viveu o impacto do encerramento da fronteira no primeiro confinamento devido à Covid-19. Apresenta uma visão económica e institucional das reivindicações pela abertura das várias travessias, insistindo na máxima de que o Minho é um território muito dinâmico economicamente, com uma interdependência secular enorme entre ambas as margens do rio, e com uma fronteira que representa 5% do total de quilómetros entre Portugal e Espanha, mas que assume 50% do tráfico de veículos.

O teaser agora lançado apresenta três testemunhos em dois minutos. Noélia Salgueiro, residente em Valença e trabalhadora em Tui, explica que, durante o primeiro confinamento e encerramento de fronteiras, teve de deixar a sua residência em Portugal com o filho mais novo para se instalar na casa dos pais, em Tui, durante um mês e meio, separando-se do resto da família, uma vez que problemas administrativos não lhe permitiam passar o controlo fronteiriço.

“Espanhóis e portugueses estamos todos misturados, involucrados. As autoridades não sabem como se vive nesta zona”, criticou.

Outro dos casos narrados é o da cabeleireira Cecilia Puga, que vive em Arbo e tem o seu salão em Melgaço. Um percurso diário normal de apenas 8kms transformou-se em centenas de quilómetros com
o encerramento de fronteiras, ao ter de passar obrigatoriamente em Valença-Tui.

“Só peço que me deixem trabalhar. Que os trabalhadores possam passar pelas travessias habituais. Que ponham mais
meios de controlo porque, se eu soubesse disto, nunca teria montado o meu negócio do outro lado”, disse.

Finalmente, Andreia Costa, residente em Ponte de Lima e trabalhadora em Tomiño, expõe que a interdependência de ambas as margens do rio Minho é muito grande e que

“o tecido económico que existe nestas vilas da raia está a ser destruído” com o encerramento de fronteiras.

‘Confinados no rio Minho’ resulta da ação-piloto do Observatório das Dinâmicas Transfronteiriças – ODT– , que se pretende que seja um instrumento de apoio à decisão, com o objetivo de estruturar informação e melhorar o conhecimento da realidade socioeconómica do território do AECT Rio Minho,
no âmbito do projeto REDE_Lab_Minho, cofinanciado pelo Interreg V A.

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