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Quem não mata, morre

Há uma expressão bélica muito comum no futebol: “quem não mata, morre”. Isto aplica-se àqueles casos em que uma equipa, com possibilidade para alargar a vantagem, desperdiça vários golos. O público que assiste vai crescendo em ansiedade por não ver o golo da tranquilidade, até que de repente, em contra-ataque, aquele que poderia ter “morrido” empata. Depois do empate, com a frustração dos que o sofrem e com a energia dos que o marcam, toda a dinâmica de jogo se altera. Em muitos casos, o abaixamento de ânimo dos que estavam por cima e não conseguiram arrumar com o jogo e o levantamento do ânimo dos que estavam em baixo e recuperaram, resulta numa espiral de vantagem para os que estavam a perder. Normalmente, o que estava a perder tende depois a ganhar. E é aqui que fica a sensação “quem não mata, morre”.

Ora, foi precisamente com esta sensação que eu fiquei depois de ler na Barca FM a informação de que Fernanda Marques se absteve na votação do orçamento municipal de Ponte da Barca para 2021. De acordo com essa notícia, Fernanda Marques criticou todo o programa, considerando-o de desajustado, insensível à pandemia e incapaz de fazer frente aos desafios que se aproximam. No entanto, absteve-se. Depois de uma dura crítica, absteve-se. Sabendo que poderia mudar o futuro, que seria o de obrigar a um novo orçamento, absteve-se. Não “matou”. Agora, vai deixar “morrer” aquilo que disse, aquilo que referiu sobre o orçamento. Mas mais: Fernanda Marques, ao não concordar e ao abster-se, sabendo que se votasse contra “mataria” aquilo que considerou de mau, deu uma oportunidade de sobrevivência ao executivo. Que empatou. Que aprovou o orçamento. Que levou avante a sua estratégia. Numa situação que poderia ter resultado numa devastação do executivo, Fernanda Marques não “matou”, o que permite ao executivo respirar fundo, levar por adiante a estratégia e, tal como no futebol, dar a volta ao resultado. É já a segunda vez que o executivo de Augusto Marinho escapa ao golpe fatal. Primeiro ajudado por Inocêncio Araújo, que agora voltou a apoiar o PSD. Agora, foi ajudado por Fernanda Marques, que mesmo tendo sido a mais crítica deste orçamento, assinou a sentença ao abster-se. Ao contrário da professora Maria José, que votou contra, Fernanda Marques absteve-se.

Muitos dizem, e alguns até do PS de Ponte da Barca, que Fernanda Marques foi responsável. Ou que fez bem não “matar” porque tal iria fazer com que Augusto Marinho se vitimizasse. Não concordo em nada com isto. A notícia da não aprovação do orçamento seria uma bomba irreparável no PSD e no seio do executivo. Seria porventura notícia nacional. Confirmaria em todo o concelho o demérito de um executivo que não é capaz sequer de convencer os seus, que não é capaz sequer de ter o apoio dos da casa. Esta bomba iria gerar uma atmosfera de derrota. Augusto Marinho ficaria isolado. O PSD sentir-se-ia apavorado, sem chão, no tapete.

Em outubro de 2021, depois de contados os votos, o mais provável é voltarmos a ler este texto. Augusto Marinho terá ganho as eleições. Fernanda Marques terá sido a responsável por não ter desferido o golpe final. E todos se lembrarão, mais ima vez, que “quem não mata, morre”.

 

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Comment

  1. Digo mais, perdeu-se a oportunidade de nos livrarmos deste executivo

  2. Esta acabou de se matar. O psd vai ganhar e esta nao mama mais nada

  3. Quem conhece a dra. Marques, sabe bem como não é uma pessoa de coragem

  4. O Inocéncio mostrou quem é mais uma vez. A culpa é do Vassalo porque ele como político nao vale nada

  5. Falta de coragem.
    Tem medo de perder o tacho.
    Em relação ao Inocêncio, é o que todos sabemos, serve-se da política