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Ponte de Lima| Malvada Associação apresenta a sua obra ‘Bonecas’

“Como defender hoje os direitos da mulher, das crianças e, logo, dos homens?”

A 23 de Outubro, às 22h00, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, o espectáculo de teatro Bonecas, pela Malvada Associação Artística, com interpretação de Inês Pereira, Nádia Yracema, Susana Sá e Matilde Magalhães.

Bonecas inspira-se numa história que o escritor Afonso Cruz contou a Ana Luena e a José Miguel Soares e que estará incluída no seu próximo romance; inspira-se igualmente no universo de Paula Rego, cujo processo criativo, tão singular, estimula por analogia a construção deste espectáculo.

Tem ainda na base as experiências de criação artística partilhadas com um grupo de raparigas de um centro de acolhimento temporário e com mulheres vítimas de violência doméstica. É por territórios femininos e cruéis que assistimos, em Bonecas, a uma inversão de papéis, em que as vítimas são
prisioneiras na sua própria condição de vítima e as intérpretes representam relações dicotómicas em que se confunde submisso e dominador, onde a força e a vulnerabilidade são apresentadas à semelhança de um tableau vivant.

“Alguém rouba um livro imaginário, um livro proibido, aqui adereço de cena onde lemos excertos do conto inédito de Afonso Cruz, no qual nos podemos identificar com a Sãozinha e com as meninas que foram abandonadas no Lazareto para serem criadas da burguesia, nos anos 50 do século XX, em Lisboa. Aquelas meninas poderíamos ser nós. Escravos, hoje. Há uma voz que está dentro de mim e que quer falar sobre isto tudo para se unir a outras vozes de quem sofre de abusos e de violência. Como defender hoje os direitos da mulher, das crianças e, logo, dos homens?

Daqueles que por alguma razão são atirados para uma situação de fragilidade extrema e por isso permeáveis, sujeitos à crueldade inerente ao ser humano. Muitas vezes não há saída. Como continuar espectador deste mundo? Como? Como sobreviver sem fechar os olhos, sem gritar e acusar em vão? Como? Poderá não haver resposta? Olhar o outro como se fossemos nós. Sim. O teatro permite-nos ser, estar e falar pelo outro sem nunca deixarmos de sermos nós. Ser pelo outro sem nunca deixar de ser eu. Na morte somos todos iguais. Somos todos irmãos. Apenas corpos sem vida.” (Ana Luena)

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