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Atleta barquense Marco Gomes “os atletas desta modalidade não somos compreendidos, e muito menos apoiados”

Marco Gomes, é um jovem atleta barquense que desde muito novo demonstrou uma enorme apetência pelo mundo do desporto. Pertenceu à equipa de râguebi de Arcos de Valdevez (CRAV)  e com o passar dos anos, descobriu uma nova modalidade pela qual se apaixonou: o Body Building. 

Desde 2012 faz parte do mundo do culturismo tendo começado o seu percurso competitivo há quatro anos. No seu currículo conta com várias provas disputadas e nas quais alcançou sempre a sua presença no pódio. O seu mais recente galardão foi conquistado no passado dia 27 de setembro, no Casino Estoril, sagrando-se Vice-campeão bodybuilding até 80kg no Evento National Championship NPC/ IFBBPRO 3.º Classic Physic até 175cm.

Para Marco todos os prémios que tem ganho ao longo destes quatro anos são motivo de grande orgulho “como qualquer atleta, o sacrifício, empenho e preparação tem de ser diário. O investimento é muito e infelizmente, nestes meios mais pequenos, a nossa modalidade não é compreendida. Não somos reconhecidos como atletas e isto para quem deseja fazer disto um modo de vida, é muito complicado”.

Confessa que os apoios são quase inexistentes “nesta modalidade, como em qualquer desporto de alta competição, é necessário apoios.  Infelizmente nós não somos levados a sério, não somos reconhecidos como atletas e torna-se muito difícil encontrar patrocinadores ou apoios”.

Para Marco Gomes, participar nestas competições nem sempre é uma tarefa fácil “posso dizer que neste momento, trabalho para cumprir o meu sonho de ser um grande atleta reconhecido nesta modalidade. E não é fácil. Trabalho numa fábrica, em Arcos de Valdevez, e tenho de ser muito disciplinado porque este desporto requer muito treino, uma alimentação sumamente regrada, muita dedicação, sacrifício e como em qualquer outra modalidade desportiva de alto rendimento, é necessário muito investimento”.

O atleta vê com alguma tristeza o facto do desporto que pratica não ser levado mais em consideração “nestes meios mais pequenos nem sempre é bem visto -ou compreendido- o facto de querermos ser culturistas e desenvolvermos o corpo desta forma. Somos incompreendidos. Infelizmente só é reconhecido o futebol, o ciclismo e outro tipo de desportos, ainda quando, por exemplo no meu caso, trazemos imensos trofeus para casa e deixamos em alta o nome da nossa terra”.

Garante que muitas vezes até são alvo de discriminação “pensam que somos uns exibicionistas e que a única coisa que queremos é mostrar os músculos. Acham que não temos nada na cabeça, é um desporto que ainda não é reconhecido como tal”.

Ao longo deste quatro anos Marco tem conquistado vários pódios e como barquense, sente-se orgulhoso do seu percurso e, sem ânimos de querer soar arrogante, confessa “sinto-me muito orgulhoso do meu percurso. Sou um barquense que tem vencido consecutivamente nas provas às quais tenho concorrido por isso, sinto alguma tristeza quando os apoios não são conseguidos. Sozinho tenho vencido e deixado o nome de Ponte da Barca em destaque”.

Relembre-se que no dia 24 de outubro de 2019, nas comemorações do Dia do Município, Marco Gomes recebeu, por parte do Executivo liderado por Augusto Marinho, uma medalha de ‘Reconhecimento ao Mérito Desportivo’ mas garante que “o reconhecimento foi só a esse nível. Tive uma reunião com a Câmara de Ponte da Barca há quase dois anos para me apoiarem na minha jornada e até hoje, nunca mais tive nenhuma resposta. É a tal falta de apoio que existe no nosso meio”, afirma.

Confessa que como jovem atleta barquense gostaria de conseguir ter os apoios necessários para levar a sua carreira desportiva mais além “eu sou barquense e apesar de ter tido um passado ligado ao desporto em Arcos de Valdevez gostaria de encontrar apoio aqui, na minha terra, mas se não conseguir, terei de tentar a minha sorte no Município de Arcos de Valdevez porque quero profissionalizar a minha carreira e só o irei conseguir com os devidos apoios”, garante.

O jovem atleta confidenciou ao Pasquim da Vila que, depois de ter conseguido o segundo lugar na competição do passado dia 27 de setembro o próximo passo seria estar presente no Olympia Amateur Portugal 2020, no mês de novembro “para mim seria muito importante estar nesse evento por ser um evento de caráter mundial e conseguir o acesso ao cartão profissional. Mas se de facto, eu não obtiver os apoios de que preciso não irei conseguir comparecer o que pra mim, seria muito desalentador porque perderia a oportunidade de profissionalizar a minha carreira que é pelo qual tenho lutado ao longo destes oito anos”, confessa emocionado.

“A maior glória de uma vitória não consiste no cruzar a meta, mas sim no esforço até a alcançar”

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