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Ao cuidado de presidentes

Queres planear o Turismo? Queres criar uma linha de ação para desenvolver o Turismo?

Então, conhece primeiro.

Sabes por acaso quem te visita? Sabes quantos te visitam? Ou porque te visitam? Ou como te encontram para te visitarem? Ou o que fazem quando te visitam? Sabes como se sentem após te visitar?

Se não sabes responder a isto, não estás a usar ciência para agir. Estás, portanto, no plano do achismo. O plano do achismo resulta assim: as tuas ações refletem aquilo que tu julgas, nunca aquilo que a maioria pretende de ti.

E a Cultura? Queres mesmo planear a cultura? Mas qual cultura? Conheces a cultura? Como a defines? A que lugar queres chegar no plano cultural?

Por acaso conheces os gostos das pessoas?Conheces os hábitos culturais dos teus habitantes? Conheces os seus desejos e as suas aspirações culturais? O que veem, o que leem, o que os emociona?

Se não conheces, que plano cultural podes ter? De que princípio partes? Não tens sequer princípio? É ao sabor do vento?Viajas de ideia em ideia avulsa? Sem fio condutor? Sem estratégia?

E o Comércio e a Indústria?

Conheces os hábitos de consumo? Conheces as redes de serviços e produtos? As dinâmicas de distribuição local?

E os empresários? Conheces as necessidades dos empresários? Conheces as redes empresariais ligadas aos empresários da tua região? Conheces as oportunidades e as ameaças que eles já vislumbraram?

E os emigrantes da tua terra? Conheces os emigrantes na relação que estabelecem com o trabalho e com redes empresariais? Conheces emigrantes-empresários que querem investir? Onde? Como? E essas áreas onde querem investir, estão de acordo com as dinâmicas locais? Com as pessoas locais e suas competências?

Poderia continuar. Nas Obras Públicas. Na Educação. Nos serviços públicos que prestas. Nos modos como te organizas. É que se não pensas em nada disto, se te reges ainda por “achómetros”, se ainda te orientas em função do ganho imediato, em que mundo julgas tu estar preparado para decidir sobre um todo? Um todo cada vez mais global? Tu que até já te sentaste um dia nas cadeiras da Academia, como podes querer agir de modo eficiente sem que implementes aquilo a que Frederich Taylor (1856-1915) chamava de “Organização Científica do Trabalho“?

Através de achómetros, podes agir. O povo emprestou-te esse poder. Vais é, apenas, achar. Nada mais. O desperdício, a ineficácia, o insucesso, essa será paga por todos os que agora lideras.

 

Pedro Rodrigues Costa

sociólogo e investigador social

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  1. Post comment

    Maragarida da Graça Vasconcelos says:

    Não podia estar mais certo o término deste artigo !!! É mesmo isso o que se passa com ” quase todos os P “. Na verdade esse sentimento é partilhado por uma grande parte da comunidade que os leva embandeirados e ao colo.