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Limites Infinitos da Opinião

Esta crónica podia ser sobre assuntos da actualidade: os Tweets do Presidente TRUMP e as manifestações dos Black Lives Matter, sobre as “cassetes” do Opinion Makere deputado André Ventura, ou até sobre os estados de alteração de humor da deputada em fim de carreira Joacine qualquer coisa. Podia discorrer sobre os novos ténis da NIKE do filho do cigano,suportados por rendas provenientes de ativos ao serviço de comunidades parasitas, a que prosaicamente dão o nome de rendimento social de inserção. E porque não falar também, das “orgias milionárias”da vasta descendência de “amnésicos banqueiros”, custeadas por pazadas no buraco que os contribuintes diligentemente supliciam.

Curiosamente, a indignação gerada pela vista turva dos nossos “governantes” na Supervisão  Microprudencial acaba por anular-se na escondida cobiça pelas excentricidades do Lifestyle dos herdeiros do Fundo de Resolução no Purília Luxury Events. Bem, como moderado que sou, prefiro não levar a discussão para lá dos limites infinitos da “minha” opinião.

Em termos matemáticos, o limite é um conceito fundamental no estudo do comportamento de funções de múltiplas variáveis. O limite pode caminhar para o infinito, sem que, por vezes nunca lá chegue. Trata-se de algo cuja aceitação é, à primeira vista,difícil de atender, mas que na verdade, assenta em comprovada demonstração.

Serve isto para dizer que a matemática sustenta muita da sua “certeza” em axiomas, proposições tacitamente aceites como verdadeiras e que servem como ponto inicial para dedução de outras verdades.Na prática, um axioma constitui-se como uma dedução óbvia, ou como consenso inicial para aceitação de uma dada teoria.

Por essa mesma razão, existem opiniões fundamentadas por dedução com outras opiniões não sustentadas,que acabam por dar origem a “verdades absolutas”.

O que é verdade?

Robert Evans disse que existem sempre três lados em qualquer história: o meu, o teu e a realidade. E nenhum de nós tem que estar necessariamente errado ou a faltar a verdade. C

Com efeito, o que ocorre é que as nossas memórias partilhadas e as emoções individuais se conjugam de forma diferente em cada um de nós.

Ora, no nosso quotidiano, tal como na matemática, somos todos os dias confrontados com “certezas” e “verdades” sobre avaliações de factos ou acontecimentos onde, com frequência, se observam posições antagónicas que tendem a caminhar para um “limite infinito”. São opiniões que divergem consoante a proveniência ideológica, usualmente assentes em verdades não demonstradas e onde de forma deliberada, se procura subverter factos históricos.

É, de resto, a situação que se constata em boa parte das notícias que inundam os feed das redes sociais, que mais não são do que opiniões próximas da barreira intransponível do limite ético aceitável.

Não obstante, estou certo que a confrontação, tal como na matemática,acaba por ser geradora de clareza. A criação, ou a mudança é,frequentemente, gerada por estímulos negativos, resultando da discórdia intersubjectiva e da necessidade de um entendimento entre os homens, de modo a garantir a sua sobrevivência.

Na verdade, parece existir uma relação inerente entre uma dinâmica de conflito e o inevitável desenvolvimento das nossas disposições naturais em direcção a um estado de recíproca concórdia.A dualidade/convergência dos conceitos de “guerra“ e “paz“, “preto” e “branco”, “esquerda” e “direita”, “valor” e “desperdício” e a forma como a noção de antagonismo, serve de sólido alicerce para a ideia de progresso e criação de verdades.

Estamos condenados a nos entendermos…

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.” Albert Einstein Die Philosophin – Volume 7, Edição 13 -Volume 8, Edição 16 – Página 60, EditionDiskord, 1996.

A última vez que tentei opinar sobre uma teoria foi em sala de aula, enquanto aluno, e não me livrei de uma esclarecida advertência do professor “Quer discutir a teoria da relatividade do Einstein? Primeiro estude alemão para ler a obra original na íntegra e depois comenta.”. (Mítico!).

Julgo que o meu professor procurou dizer-me que quanto mais perto do original, menor será a influencia da nossa subjetividade. De facto, uma tradução nunca será igual ao original. A ideia está na base do seu criador.É o que acontece com as opiniões. Por exemplo, quando alguém tem a certeza de que a sua opinião sobre algo carrega a chama da verdade absoluta,baseada em axiomas de opinião, tudo o resto lhe parece errado.

Daí que ser moderado seja uma escolha difícil. É, antes de mais, aceitar que a nossa opinião constitui uma manifestação das ideias individuais a respeito de algo ou alguém, ainda que possam existir outras. O mais fácil é aceitar as vantagens de ser extremista. Tal como explicou o humorista: John Cleese, dos MontyPython no início dos anos 80, mas que continua assustadoramente atual:

Temos ouvido muito sobre extremismo recentemente. O ambiente está duro, agressivo: muito desrespeito e pouca empatia”…“O que nunca se ouve por aí é sobre as VANTAGENS de ser extremista”. “E a maior dessas vantagens” – continua Cleese – “é que o radicalismo faz-nos sentir bem. Porque ele proporciona-te inimigos. Com isso, podes fingir que toda a maldade do mundo está nos teus inimigos e que toda a bondade está, claro, em ti.”

https://youtu.be/a677GavT2aM

O lado certo é dos moderados. Somos muitos, mas estamos em crise quando olhamos para a crescente crispação de opiniões. O lado certo é dos que se encontram ao centro das opiniões extremadas e que conseguem perceber que existem outros lados da mesma história. Sentir que existem muitos moderados é libertador porque percebemos que não estamos sozinhos. Ou seja,caminhamos para um limite infinito onde, a cada passo, tentamos encontrar os argumento se os consensos que nos motivam e que nos levam a avançar e a progredir na procura das verdades que trazem equilíbrio aos extremos, isto é, entre os limites infinitos das opiniões.

Em suma,as pessoas moderadas são as mais capazes de poderem tornar-se em líderes amados e compreendidos.

Ulisses de Freitas

keepgrowplusgoing.com

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  1. Moderados, muito bem!…
    E parabéns!
    No meio disto tudo há ainda um dogma: _ Temos de aprender alemão!
    Talvez só assim possamos, das duas uma, entender a União Europeia, ou então, exigir repensar a Europa!…
    Abraço, Ulisses.

  2. Eu identifico-me muito com esta crónica, parabéns pois a ideia de quão difícil é ser moderado está muito bem exposta. É hoje usual ler, ouvir “opiniões” cuja fundamentação reside em crenças gritadas ao vento pelos Opinionmakeres nas redes sociais, nos media mas também nas nossas casas em simples reuniões de amigos e familiares. Aqueles que realmente sabem da poda usam de cautela quendo expõem as suas opiniões pois sabem como é volátil uma certeza. Abraço forte e continua a bater na bigorna.