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Portugal tem menos de um fisioterapeuta para cada cem mil habitantes nos cuidados de saúde primários

Em Portugal, cerca de 30% dos Agrupamentos de Centros de Saúde não tem fisioterapeutas, sendo a Região de Lisboa e Vale do Tejo e a Região Norte as que apresentam os valores mais baixos do país, com a Região Norte a não atingir o valor médio de um fisioterapeuta para cada cem mil habitantes.

Estes dados são avançados pela Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFisio), com um alerta para a necessidade urgente de um forte investimento em recursos humanos de fisioterapia nos Cuidados de Saúde Primários.

O presidente da APFisio, Adérito Seixas, sublinha que a insuficiência do número de profissionais afetos ao serviço público não se verifica exclusivamente nos Cuidados de Saúde Primários.

“De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, existem apenas 906 fisioterapeutas nos hospitais públicos. No global, considerando os hospitais públicos e os Cuidados de Saúde Primários, o número de fisioterapeutas no sistema de saúde público é pouco superior a mil. Vemos estes números com muita apreensão. É uma situação muito grave e que requer correção urgente”, reforça Adérito Seixas.

Segundo o mesmo responsável, outro problema que carece de atenção imediata prende-se com a acessibilidade do cidadão aos cuidados de fisioterapia.

“O Estado investe na formação de elevada qualidade dos fisioterapeutas, mas ao mesmo tempo apresenta grande inércia na criação de condições que garantam o acesso do cidadão aos cuidados destes profissionais. Estamos a falar de profissionais autónomos, com autonomia consagrada na Lei, habilitados para serem profissionais de primeiro contacto, mas o Estado, através de várias disposições normativas, força o contribuinte a pagar consultas médicas adicionais antes de poder aceder aos cuidados de fisioterapia”, alerta Adérito Seixas, sublinhando que “esta é a realidade, tanto nos Cuidados de Saúde Primários como nos Cuidados Hospitalares”.

A APFisio recorda que apesar de em Portugal a esperança média de vida ter aumentado para um valor ligeiramente acima dos 81 anos, dados do EUROSTAT indicam que o número de anos vividos sem problemas de saúde moderados ou severos é de apenas 58,6 anos.

“Sabemos também que os problemas músculo-esqueléticos, de saúde mental, neurológicos, a diabetes, doenças respiratórias crónicas e doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 65% dos anos vividos com incapacidade na população portuguesa”, complementa Adérito Seixas.

Para a APFisio, esta realidade é demonstrativa da necessidade de promover uma adequada utilização dos recursos de fisioterapia, o que permitiria obter ganhos em saúde nas pessoas com aquelas condições e ganhos de eficiência no SNS – redução de consultas médicas, redução de exames de diagnóstico, redução de procedimentos cirúrgicos, redução do absentismo laboral, retorno mais rápido à atividade e melhoria da participação social.

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“Num país em que, de acordo com a PORDATA, 21,7% da população tem mais de 65 anos e com 157,4 pessoas idosas por cada 100 jovens, será fácil de antecipar a elevada carga de doença atribuída às condições referidas previamente nesta população”, considera Adérito Seixas.

Atendendo a que as condições crónicas de saúde e de multimorbilidade assumem cada vez maior relevância e impacto na vida das pessoas, das suas famílias e no sistema de saúde, e são responsáveis pelos anos de vida com incapacidade, o presidente da APFisio defende tratar-se de um indicador de saúde que “Portugal e os portugueses devem exigir ver melhorado, uma vez que essa melhoria depende das políticas de saúde assumidas pelos governantes”.

“Neste momento, o acesso aos cuidados de fisioterapia no SNS não é eficiente, nem sustentável, por manifesta carência de fisioterapeutas no SNS, mas também porque o acesso aos seus cuidados sofre barreiras normativas, com evidente prejuízo para o SNS e para o utente”, conclui Adérito Seixas, recordando que “nos últimos anos, e de forma recorrente, a APFisio tem manifestado a sua preocupação e estratégias ao Ministério da Saúde, mas não temos observado uma alteração nas políticas de contratação de recursos humanos de fisioterapia”.

Tendo por base relatórios internacionais, a APFisio acredita que os gastos de saúde poderiam ser entre 40 a 60% mais baixos se a tendência do aumento de esperança de vida fosse acompanhada pelo mesmo valor de melhoria da capacidade funcional.

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