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“Por causa do Covid-19, tenho que pagar 170 euros por uma biopsia à mama”

A Ana é uma mulher do Alto-Minho. Mais propriamente de Caminha. Está divorciada e sustenta dois menores, com muito custo. O salário mínimo quase não lhe chega para pagar a renda e a alimentação dos seus dois filhos.

Recentemente, numa rotineira automassagem à mama, descobriu uma região dura. Ficou preocupada. Depois de muitos telefonemas para o centro de saúde da sua área de residência, e de duas tentativas presenciais frustradas, lá conseguiu marcar uma ecografia mamária. Obteve o resultado positivo: tem um nódulo em uma das mamas.

Cada vez mais preocupada, foi de urgência tentar marcar uma biopsia para saber se se trata de algo benigno ou maligno. Foi a uma consulta externa para pedir com urgência essa biopsia. Ficou a aguardar. Passadas quase duas semanas, recebe um telefonema da ULSAM – Viana do Castelo a dizer que “provavelmente o nódulo que ela tem na mama não é nada de grave” e que só terão disponibilidade para fazer a biopsia dentro de 3 meses.

Devido ao Covid-19, os exames estão extremamente atrasados. A Ana, em pânico, e indignada com a ligeireza da pessoa que lhe ligou a dizer que provavelmente “não será nada” (como se a saúde fosse resolvida com probabilidades), decide marcar a biopsia numa clínica privada. Consegue marcação para dali a 15 dias. Mas há um problema: o custo da biopsia é de 170 euros, valor esse que lhe faz muita falta para os custos da vida diária. Como as dificuldades de uma mãe divorciada com dois filhos a cargo e com o salário mínimo são muitas, a Ana teve que pedir dinheiro emprestado. E a agravar a situação, por causa da crise gerada pelo Covid-19, a Ana está em risco de ser despedida.

De acordo com o jornal Público, a Ana é uma das 1,4 milhões de portugueses que viram as suas consultas e exames atrasados, adiados ou então a obrigar a fazer exames em clínicas privadas dada a urgência das situações (https://www.publico.pt/2020/05/20/sociedade/noticia/quase-14-milhoes-consultas-ficaram-sns-causa-pandemia-1917448). De acordo com a Liga contra o Cancro “os doentes com cancros iniciais, que atempadamente seriam curados, ou aqueles que teriam uma longa sobrevivência com qualidade de vida, terão muito menos esperança que isso aconteça”. (https://www.ligacontracancro.pt/noticias/detalhe/url/pandemia-covid-19-impacto-nos-doentes-oncologicos/).

O PV – Pasquim da Vila deseja profundamente que a Ana, e todos aqueles que se encontrem na mesma situação que a Ana, que infelizmente, são muitos, obtenha um resultado benigno. No entanto, teme-se o pior.  O plano de preparação para estas situações e para a chegada do inverno terá mesmo que ser “de grande profundidade”, como foi dito ao Público pelo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. Administradores, médicos e enfermeiros terão que ter outras respostas para equilibrar o sistema nacional de saúde (SNS) e não se podem focar exageradamente no Covid-19 (https://www.publico.pt/2020/07/14/sociedade/noticia/consultas-cirurgias-pessoas-doencas-nao-podem-voltar-parar-alertam-profissionais-saude-1924294?)

A resposta de um SNS não pode nem deve ser aquela que a Ana obteve, sob pena de ser pior a cura do que a doença ao Covid-19.

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