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“De Paris à Cerca da Milhera (3h)…”

Dizer que de Paris à Cerca da Milhera são 3h de viagem, é o mesmo que dizer ‘é fácil passar de um qualquer frenético centro urbano cosmopolita mundial ao mais recatado ambiente rural disponível em poucas horas’. Passar da “loucura” das grandes cidades ao “marasmo” das nossas aldeias em menos de 1/2 dia, no sentido figurativo.

O Mundo É Plano (Thomas L. Frieman: 2006) e estamos a viver nesse mundo. O Mundo é plano no sentido em que a dicotomia entre os países desenvolvidos e os países em via de desenvolvimento estão a ficar nivelados. Na mesma direção, existe mudança na perceção que as pessoas têm do mundo e a necessidade de uma igual mudança entre países, organizações e indivíduos desejarem manter-se competitivos no mercado global, onde as divisões históricas, regionais e geográficas estão a ficar cada vez menos relevantes.

Na verdade, já não existe uma fronteira entre países desenvolvidos e em desenvolvimento (Hans Rosling: 2017). A maioria (cinco mil milhões de pessoas) é muito mais relevante do que os extremos, isto é, os mil milhões que vivem na pobreza extrema e os mil milhões muito ricos. Existe uma imensa maioria que tem pelo menos um meio de transporte mais avançado como moto ou automóvel, ou mesmo telemóvel.

O título desta história há mais de 50 anos atrás seria ao contrário: Da Cerca da Milhera a Paris (120h)”. Da Cerca da Milhera, pequena casa rural localizada na freguesia de Vade S. Tomé, a 10’ da Vila de Ponte da Barca, no Minho em Portugal, partiram pais e filhos à procura de um mundo novo de oportunidades. Cento e vinte (120) horas seria o tempo necessário para atravessar obstáculos físicos, pessoais, culturais e civilizacionais. Partiram em busca de rendimento para aumentar a probabilidade de serem mais felizes.

Todos pensamos ter uma perceção certa do mundo, mas num simples teste de 5 perguntas sobre o estado global do mundo, e quais as suas tendências feito a líderes mundiais e a chimpanzés, os líderes obteriam um desempenho pior que os chimpanzés, ou seja, pior que aleatório, como comprovado pelo Hans Rosling. Apesar da situação atual, o mundo está a evoluir positivamente e portanto, a ficar mais plano. Hoje, os mesmos e outros regressam à procura desse mesmo mundo novo, no sentido inverso e talvez com os mesmos objetivos e esperanças.

Portanto, se hoje os sentidos de deslocação são inversos e reduzimos 95% das distâncias (em tempo) em apenas 50 anos, temos a certeza que podemos perspetivar transformações. Este mundo mais nivelado trás novas mudanças, novos horizontes e perigos. O que para uns pode parecer “um atraso de vida”, para outros, poderá ser uma fantástica experiência. O meio rural é hoje muito procurado, e tal como Paris, a Cerca da Milhera é um destino, em vez de um ponto de partida. Não podes ignorar, não podes fugir de Portugal…

Can’t skip Us, Can’t Skip Portugal

https://youtu.be/GU5W1LecyXw

Qual a estratégia? … PDCA

Será hoje a Milhera, o “mundo” rural, com todas as suas culturas e tradições, o novo Eldorado do Turismo? Ou queremos que seja o lar das novas gerações?

No nosso caso, será tudo aquilo que quisermos e investirmos enquanto habitantes desta linda e inigualável região rural, denominada Alto Minho. Para tal, planos estratégicos (visão a 10/20 anos) em sintonia entre a vontade popular, procura, autoridades locais e instituições são imprescindíveis. É necessário pensar de forma estruturada para que todos tenham a visão clara do que pretendemos e qual o caminho a seguir (inclui uma necessária e já demorada descentralização do estado). Na construção desses objetivos deveremos aprender com os erros dos precedentes e atuais destinos, poderemos antecipar potencias problemas de sazonalidade, descaracterização e modas.

Deveremos ser um ponto de passagem e ao mesmo tempo, um ponto de origem. Gerar condições para atividade económica de produtos e serviços aos visitantes, através dos restaurantes, hotéis, casas de campo, atividades culturais e desportivas, mas ao mesmo tempo criar condições para famílias se fixarem, atrair indústria de inovação e desenvolvimento, oportunidades de criação de negócios sustentáveis e integradores. Incluindo na estratégia a atração e fixação de aposentados nacionais e estrangeiros.

Se por um lado o futuro será daqueles que ousem nas atividades ligadas ao turismo aliando a criatividade à tradição, daqueles que proponham uma reinterpretação do património, daqueles que transformem experiências em vivências com conteúdo e emoção. Por outro lado, as outras atividades de desenvolvimento como a indústria, aliadas a diferentes variáveis, podem contribuir de forma menos positiva para os territórios. Para prevenir, o seu desenvolvimento deve ser equilibrado, tendo em consideração a comunidade de destino, as preocupações ambientais e a sustentabilidade. Deve, acima de tudo, atender ao equilíbrio entre o benefício e o dano.

Para fixar famílias é preciso gerar riqueza, e para isso, precisamos de mais dinheiro. Consegue-se mais dinheiro se a qualidade de vida melhorar, se recebermos e tivermos disponível mais educação e se existir apoio às famílias. E quando as famílias e as organizações conseguem mais dinheiro acontece que se pode oferecer ainda melhores serviços de saúde, de educação, melhores condições de vida e também de coisas que nos fazem felizes: cultura, lazer e um ambiente agradável para se viver e visitar.

 “A capacidade humana de procurar uma vida melhor avança mais rápido do que a economia” Hans Rosling.

NOTA: Pandemia Covid-19. Ser uma região isolada, desertificada e pobre evitava a pandemia Covid-19? Tal não foi para a Gripe espanhola, mas viver em quarentena no meio rural, é certamente mais aceitável do que nas grandes cidades.

https://keepgrowplusgoing.com/

Ulisses de Freitas

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  1. Muitos parabéns Ulisses, não me surpreende nada este artigo, visto que vem de uma pessoa empreendedora e com uma visão e perspectiva muito evoluida e construitiva como a tua.

  2. Uma análise intelectual sobre a actualidade e a visão estratégica de que esta crise pode ser um ponto de viragem para a crise rural que se vem agudizando em Portugal

  3. Parabèns 👏 primo ,força nos investimentos rural, desta linda região que é o alto Minho.
    Grande abraço e courage 👍🤞

  4. Ulisses Freitas, parabéns pelo artigo.
    Infelizmente os que nos governam não pensam da mesma maneira.
    Pensam no momento, pensam em medidas propagandistas que lhe traga votos. Nenhum tenta ou pensa numa medida a longo prazo.

  5. Concordo e sublinhado cada palavra. Até afirmo que com esta história do COVID-19 as imobiliárias tem tido muita procura, por causa de locais como a Cerca da Milheira.
    Quero mais um artigo. É um prazer ler os teus artigos.