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Caminhos para o desporto

É consensual que o desporto desempenha um papel fundamental na melhoria da saúde física e mental, assim como na promoção de regras e valores enquanto sociedade, sobretudo pela inclusão de todo o tipo de personalidades, culturas, condições socioecónomicas e religiões.

O respeito, a disciplina e o empenho são valores inerentes ao desporto, este ponto de partida parece-me essencial para refletirmos sobre o devido valor e incentivo que nos merece a atividade desportiva, seja ela individual ou coletiva, por lazer ou competição, o mais importante, é caminharmos para incutir na nossa sociedade os valores que referi atrás e a forma mais fácil é através da cultura à prática desportiva, desde tenra idade.

A nossa atividade desportiva começa desde o berço, com todo o tipo de brincadeiras, muitas vezes em grupos de crianças, mas na grande maioria dos casos o primeiro contacto com o desporto em competição é na Escola, através do Desporto Escolar ou então, em Associações ou Clubes Desportivos.

Ambos desempenham um papel fundamental na fomentação da importância e dos valores da cultura desportiva, logo, através destes dois vetores é importantíssimo um raciocínio crítico sobre se estamos realmente a incentivar e apostar de forma concreta, tanto no Desporto Escolar como no Associativismo, numa e noutra parece-me que temos ainda um longo e difícil caminho a percorrer.

O Desporto Escolar, apesar de nos últimos anos ter sido muitas vezes referido como de importante discussão, está ainda refém de um amplo debate que coloque todas questões a discussão, por todos os intervenientes que possam, com base nas suas experiências, melhorar o modelo em vigor atualmente, deveremos caminhar no sentido de dar uma maior relevância às competições dentro da própria escola e depois entre escolas dentro de todos os escalões letivos. A aposta e incentivo devem ser concretas, não é benéfico tratar o desporto nas escolas apenas como uma atividade de lazer e recreio, que fica à mercê da vontade e disponibilidade dos alunos, é necessário incentivo com apoios e prémio ao mérito.

Seguindo esta lógica de ideia podemos olhar com particular atenção para o modelo Americano, onde existem grandes competições Estaduais e Nacionais, tanto no Ensino Secundário como no Universitário, são atribuídas bolsas de Estudo com base no mérito desportivo e social, os alunos que aliem bons resultados desportivos aos bons resultados escolares são convidados diretamente pelas escolas e universidades, isso incrementa a disciplina e competição, o esforço e mérito são recompensados.

Talvez não seja possível ou desejável seguir o mesmo modelo já que em termos sociais e económicos somos muito diferentes dos Americanos, mas o meio-termo seria muito interessante, desde que aplicado de forma justa e com critérios bem definidos.

As Associações e Clubes Desportivos desempenham um papel fundamental, mas tem a dificuldade de viverem da disponibilidade das pessoas que as dirigem financeiramente e tecnicamente, do sacrifício da sua vida pessoal em prol do movimento associativo, sobrevivem em grande parte através de subsídios do estado ou câmaras, patrocínios e quotas de sócios, só por isto já vemos que é um trabalho muito difícil dar condições de incentivo à prática desportiva. Neste ponto, até por experiência pessoal em várias associações, tenho uma visão muito crítica do atual modelo de apoio e exigência em vigor; parece-me que as entidades responsáveis não se deveriam limitar a dar as condições físicas e o «cheque», muitas vezes sem critério visível, mas antes a traçar planos coordenados a todos os níveis, acompanhar proximamente tudo o que é feito, o que pode ser melhorado e onde não está ser cumprido o que foi inicialmente traçado, deste modo poderiam exigir de outra forma que atualmente por falta de conhecimento não o fazem.

A atividade das Associações ou Clubes Desportivos tem que ser alvo de um modelo que na sua base deve ser pensado e apoiado a nível nacional, logicamente com a liberdade para a especificidade de cada região, mas quando há apoio, há exigência e isso julgo fazer a diferença em relação ao fazer bem ou fazer por fazer.

No caso dos desportistas de modalidades individuais que não tem associação ou clube desportivo por não haver na sua região, deve ser implementado um modelo de apoio mais próximo e acessível daquele que existe atualmente em vigor e que deixa realmente, muito a desejar, e que leva a dificuldades enormes em ter mínimas condições de competição.

É evidente que nem todos seremos atletas, nem esse é o objetivo, mas podemos caminhar no sentido de nos educarmos desportivamente numa fase mais precoce, onde depois esses hábitos e valores tendem a prevalecer durante a nossa vida adulta. Aí, entra outro ponto da questão, a atividade desportiva por lazer, onde nos últimos anos tem surgido uma nova panóplia de eventos desportivos, um maior leque de modalidades à escolha, a melhoria de condições dos espaços e a aposta em vários eventos nomeadamente o Trail, a Maratona, a caminhada, entre outros.

Estas recentes «modas» tem realmente contribuído para uma mudança de paradigmas. Vejo com muito agrado a organização deste tipo de eventos por parte dos municípios e associações, até como forma de atracão turística, falámos de atividades desportivas ambientalmente sustentáveis, onde há um convívio muito salutar, onde realmente vemos a alegria dos participantes, com todos estes proveitos é um caminho a explorar com cada vez mais criatividade e variedade de escolha. Não nos podemos limitar ao que estamos a fazer apenas porque estamos a ter algum sucesso, o ser humano precisa de estímulo e constante novidade para se manter motivado e isto será desafiante para encontrar novos caminhos, como em tudo na nossa vida.

Obrigado!

Rui Carvalhal

Treinador de Futebol

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