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“No agora do amanhã”

Vivo há pouco mais de meia década e já percebi que a ilusão de viver o momento é mais complexa do que projetar e concretizar mil e um planos.

Quantos de nós somos verdadeiramente capazes de desfrutar um momento? Sermos capazes de relaxar e apreciar aquela conversa, aquela maçã, aquele livro ou passeio?  Vivermos aquele instante sem organizar as ideias, projetar futuras conversas ou solucionar os problemas que virão?

Poucos e raros são os que poderiam levantar o braço se lhos fosse questionado.

Se experimentarmos desligar o cérebro e focar o dia no que sentimos ou vivemos durante esse tempo, não aguentaremos o dia todo pela certa e poucos aguentariam mais que uns bons minutos até que algum pensamento sobre o nosso futuro, seja próximo ou aquele incerto que teima em assombrar, nos leve para o habitual remoer da ideia, até chegar a pequena frustração para desligar o botão de felicidade.

Vivemos uma vida de intenso fazer com pequenos e iluminados momentos de felicidade e alegria.

No fundo, somos o resultado de uma sociedade que não dorme, não para ou reflete. Tudo deve ser rentável, todos devemos ser muito bons, todos vivemos a ideia capitalizada de que somos o produto das nossas ações, em que não há espaço para o fracasso e só não petisca quem não arriscou ou trabalhou o suficiente para lá chegar.

É ótimo termos motivação e ambição e fazermos mais pelos nossos objetivos, mas não sabemos é equilibrar isso com a vida, com o presente.

Mais, engana-se aquele que acha que com o tempo melhora, quanto mais adultos mais responsabilidade; quantas mais responsabilidades, mais problemas e quantos mais problemas, menos soluções e mais pensamentos, ou seja, mais presos em nós e no nosso mundinho triste do futuro ficamos. Mais nostálgicos pela vida da juventude e infância ficaremos, porque era lá que se era feliz, lá é que se vivia bem.

E dizem-nos em conversa:

“Tens de viver mais no presente, pensar no agora” parece ser a fórmula da pedra filosofal apresentada na gíria que todos queremos descodificar!

“COMO POSSO EU VIVER NO PRESENTE SEM DESCORAR O FUTURO?”

Seria esta a fórmula ideal, contornando a prisão da realidade – existir no presente a viver no futuro.

Não me parece ser possível nem desejável abandonar a nossa forma de estar em sociedade e vivermos isolados em nós como forma de procurarmos a felicidade, acredito que a cura seja o equilíbrio e a consciência do EU!  Percebermos quando estamos demasiado preocupados com o futuro e avaliarmos o que podemos efetivamente fazer e o que, por muito que custe nesse instante, não depende de nós e só nos resta esperar. Devemo-nos ir relembrando que a vida é o agora também, e que não faz mal nenhum parar uma tarde e sair, passear relaxar e viver esse instante que além de nos saber bem, dá sentido à vida que verdadeiramente estamos a experienciar, fora da nossa cabeça.

É preciso correr para lá chegar, mas podemos ir parando para beber uma água e observar a paisagem por onde vamos passando, viveremos mais felizes e certamente com mais energia e disposição a continuar!

Mariana Martins Lopes

Estudante 3º ano Direito 

Universidade de Lisboa

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  1. Excelente aquisição para o Pasquim.
    Mariana Lopes adorei.
    O teu pensamento está corretíssimo.
    E acredita se um dia tiveres filhos, vais ver que o que dizes fará ainda mais sentido.
    Quero mais artigos.
    Obrigado