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Não são ‘migras’, são pessoas, e merecem respeito!

As fronteiras com a Espanha e a França irão reabrir. Muitas pessoas estão felizes com esta notícia. Têm-se ouvido sucessivos comentários ‘de alívio’ pela possível vinda dos emigrantes, como se de arcas de dinheiro se tratassem.

 

“Ainda bem que eles vão poder vir. Assim a economia mexe. Precisamos deles para salvar estes meses que estivemos parados”, e não digo que não seja verdade que a chegada dos emigrantes todos os anos, para as suas férias de verão, faz mexer a economia e confere outra dinâmica aos nossos concelhos e vilas. Mas eu, sendo filha de emigrantes e por sua vez, também emigrante, vejo isto de uma forma diferente.

Todos esses emigrantes que pelos vistos, terão a oportunidade de regressar a Portugal neste verão, não são só emigrantes, não podem ser vistos de forma tão redutora. Eles são portugueses que anseiam regressar à sua terra, como todos os anos, mas este ano com uma saudade ainda maior! Depois de todo o medo e o desequilíbrio que a pandemia criou.

Eles são portugueses que passam o ano inteiro lá fora, a trabalhar, a fazer esforços e sacrifícios que se bem nós por cá também os façamos, quando estamos fora da nossa terra, do nosso conforto, esse esforço tem um peso ainda maior.

São portugueses que provavelmente, têm cá os seus pais, já idosos, e que desejam voltar a vê-los porque quem sabe, esta poderá ser a última oportunidade que terão de os abraçar.

Eles não podem ser vistos simplesmente como os ‘migra’ que voltam para deixarem cá o ‘dinheirinho que tanta falta faz a economia’.

A notícia da possível reabertura das fronteiras terá sido recebida pelos emigrantes portugueses de diversas formas, muitos deles até com um aperto no coração. Uns poderão vir, outros, pelo contrário, já terão gozado as suas férias enquanto estavam de quarentena obrigatória e o sonho de voltar à terra fica um ano mais longe.

Depois do aparecimento da covid-19, e de tudo aquilo que modificou nas nossas vidas depois desta pandemia, já calculávamos que este verão 2020 seria diferente, mas como sempre, a realidade supera a ficção e teremos um verão vazio de pessoas, e muito vazio de afetos.

Carregar o fardo de sentirmos que não pertencemos a nenhuma terra já é penoso demais como para também carregar com os rótulos que os nossos conterrâneos decidem impor.

Não, não são ‘migras’, nem ‘avecs’…são portugueses que -provavelmente- amam esta terra muito mais do que qualquer um de nós que vive por cá o ano inteiro, porque o amor deles é um amor que convive a diário com a saudade e esses são os amores mais difíceis de carregar, porque aquilo que os move é a esperança e o sonho de algum dia, poder regressar! 

Vanessa Reitor 

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  1. “Eles são portugueses que passam o ano inteiro lá fora, a trabalhar, a fazer esforços e sacrifícios que se bem nós por cá também os façamos, quando estamos fora da nossa terra, do nosso conforto, esse esforço tem um peso ainda maior“….. acredito que isto era assim há 30 anos atrás , sinceramente hoje em dia não faz qualquer sentido!!!

    1. Não faz qualquer sentido? Questionar sem argumentar é pior do que não ter opinião alguma. Remeta-se à sua ignorância e não fale do que não sabe.

      Quanto à autora. Os meus parabéns pela eloquência e realidade tão bem aqui descrita

  2. Obrigada por compreender as nossas motivaçoēs… é o nosso oxigenio…❤❤