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“Tenho 15 anos mas preciso um emprego para ajudar os meus pais”

Todos nós, nalgum momento, já dissemos “esta juventude de hoje em dia não quer saber de nada. Só querem telemóveis e computadores!” Mas a realidade é que há muitos jovens interessados no quotidiano e que se preocupam com as coisas realmente importantes da vida. Assim, soube de uma história que gostaria de partilhar convosco e se possível, encontrarmos uma forma de ajudar.
O meu marido é empresário. Tem uma lavandaria em Arcos de Valdevez, e foi a partir da página do Facebook do seu estabelecimento, que recebeu aquela mensagem que o deixou a ele -e a mim- a refletirmos e com a sensação de que nem tudo está perdido. A mensagem de que vos falo é esta:
De facto o meu marido recebeu o telefonema. Quem falava com ele era uma menina de 15 anos, natural de Ponte da Barca, a pedir trabalho para conseguir ajudar os seus pais. A mãe, trabalha numa fábrica e está em lay-off a 66%, o pai, ficou em casa sem vencimento. E esta menina, aos seus curtos 15 anos, está a entrar em contacto com várias pessoas para saber se lhe podem arranjar um trabalho com o qual possa ajudar a sua família que claramente, está a passar dificuldades. 
Sempre que recebemos mensagens semelhantes, a pedirem emprego, ficamos com um nó na garganta. O COVID-19 veio desestabilizar a vida de todos nós, mas certamente há famílias que estão a ser muito mais penalizadas. Mas esta mensagem sensibilizou-nos duma forma diferente porque nela quem falava, era uma jovem, uma adolescente,uma menina numa idade difícil na qual poucas vezes paramos para pensar na vida ou nas preocupações. Mas a Maria (nome ficticio) está preocupada pela sua família, a tentar arranjar maneira de os ajudar financeiramente. À Maria agora não lhe preocupam os namoricos normais da sua idade, saber fazer a última coreografia que está de moda no Tik-Tok, ou subir fotos giras no seu Instragram…a Maria está a pedir trabalho! Para tentar que o fardo que os seus pais agora carregam, não seja tão pesado!
Antigamente, inclusive na época dos nossos pais, era fácil encontrar histórias como esta. De filhos que desde muito novos, rumavam pela vida do
trabalho para ajudar financeiramente em casa. Mas hoje em dia as coisas mudaram. Todos nós, pais, queremos que os nossos filhos vivam alheios às nossas preocupações. Queremos que eles vinguem no mundo dos estudos. E certamente os pais da Maria não serão excepção à regra. Mas também sei que eles nem sequer imaginam que ela está a tentar arranjar um trabalho com o qual os possa ajudar! Mas ainda assim, quero dirigir-lhes as minhas palavras de felicitação! Definitivamente a educação que estão a transmitir à Maria está a ser maravilhosa porque ela, apesar da sua curta idade,é dona de  uma maturidade e capacidade de sacrifício, dignas de louvar! E isso não é só feitio é também, trabalho de casa, de uma casa na qual neste momento, podem estar a ter carências económicas, mas não de educação, valores e amor. Porque um filho que se desdobra desta forma, com tão somente 15 anos, para ajudar os seus pais, é porque eles são o amor maior que ela tem e precisa sentir que de alguma forma, contribui para que eles não se sintam tão agoniados.
A conversa ao telefone foi longa. A Maria sabe que não será fácil encontrar emprego nesta fase. As empresas, muitas delas, estão a despedir e os trabalhos chamados de reforço de verão, dificilmente irão surgir uma vez que este será um verão atípico. Ela sabe que o facto de só ter 15 anos
dificulta poder encontrar  o trabalho que tanto deseja, mas é aqui onde eu vos quero falar a todos vocês que estais a ler esta história e que de certeza, também ficaram sensibilizados perante o pedido da Maria.  Existe uma forma de ajudar a esta família por isso, o Pasquim da Vila faz o apelo para que se alguém sabe, ou tem trabalho para oferecer ao pai da Maria entrem  em contacto connosco através da nossa página do Facebook ou do nosso mail: pasquimdavila@gmail.com, ou através do número de telefone 964 058 409, e nós, informaremos  esta família que neste momento, precisa de forma urgente, um emprego. 
À Maria, deixo a minha mensagem de apoio e de profunda admiração! Aos seus pais, mais uma vez, palavras de felicitação pelo excelente trabalho que estão a realizar na educação desta menina e a todos vocês, um pedido para partilharem esta história vezes sem conta e desta forma, podermos encontrar uma solução para esta família tão valiosa! 
Desde já o meu muito obrigada! Sei que conto convosco! 

Vanessa Reitor 

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  1. A história é toda muito bonita, a educação é dada como boa mas passa-vos pela cabeça as consequências psicológicas que isso terá para a menina? Não, claro que não mas pensem nisso porque á 8 anos atrás, a Maria era eu, hoje embora mais velha continuo a ser a mesma Maria mas sei as consequências que os bons valores, os mesmo que a Maria têm, trouxeram para a minha vida.