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“Suspender a faturação não vai resolver nada. É só uma medida para acalmar massas”, entrevista a quatro elementos do grupo Gentes d´Viana

A contestação criada à volta do incremento nas faturas de água nos concelhos que, recentemente aderiram a empresa Águas do Alto Minho (ADAM) já é bem conhecida. Têm sido algumas semanas de constantes queixas, reclamações e manifestações de descontentamento com a gestão da empresa à qual muitos dos seus consumidores apelidam de ‘altamente prejudicial’ para as famílias que, em muitos casos, viram a sua fatura aumentar em mais do dobro.

Toda esta contestação levou a uma reunião de emergência entre a diretiva da ADAM e os autarcas dos sete concelhos que entregaram a gestão das águas à empresa. Foi decidido então -e segundo comunicado oficial- que “será suspendida a emissão de faturas até ao próximo mês de junho” enquanto conseguem resolver/solucionar aquilo que a própria ADAM assegura ter sido “erros involuntários” nas faturas emitidas a mais de 15.000 consumidores nestes sete concelhos.

Entre tanto, a medida tomada pela ADAM, parece não ter acalmado os ânimos dos consumidores e por isto, decidimos fazer entrevista ao administrador do grupo Gentes d’Viana, e a mais três dos seus membros, uma vez que este grupo faz parte duma comunidade que já conta com quase 7.000 pessoas que o seguem e tem sido um dos mais ativos nas redes sociais. Aquele desde onde têm surgido as mais variadas queixas relativas ao aumento no preço do serviço da água.

Quisemos então conhecer, a opinião acerca da medida tomada pela ADAM de suspender a faturação até ao mês de junho e se achava que é uma medida que irá solucionar o problema? Ou será um meio para ‘acalmar’ os ânimos depois de tantas queixas e contestação?

 Para Pedro Costa, sociólogo, 39 anos, e natural do concelho de Arcos de Valdevez “a medida tomada pela empresa não vai resolver nada. É um paliativo, uma medida para acalmar massas. É uma postura errada a dos presidentes de Câmara. É que não são só os erros de faturação. É, sobretudo, o erro desta escolha, deste caminho de privatização da água. Ninguém elegeu estes autarcas para isto, seguramente. Mas tenho uma novidade para aqueles que julgam que isto acaba aqui: enquanto os preços das faturas estiverem nos valores que estão, ninguém ficará satisfeito nem ninguém vai parar de lutar pela injustiça que está a ser feita aos Alto Minhotos. Recordo que estamos num dos distritos mais pobres do país, com um poder de compra muito baixo. Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Ponte e Lima têm um poder de compra muito baixo, e os restantes 4 concelhos não estão melhor”.


No comunicado emitido pela empresa na passada segunda-feira a ADAM afirma que procederá à regularização de todas as faturas que foram ‘involuntariamente emitidas com incorreções’. Acha que o incremento na faturação se deve única e exclusivamente a ‘incorreções involuntárias’? Liliana Silva, professora, de 41 anos, natural de Caminha responde: “obviamente não. Repare que esta empresa gere-se pelo princípio do consumidor -pagador, o que significa que todos os gastos da empresa serão imputados aos consumidores nas faturas da água. No próximo ano, haverão aumentos, não tenho dúvidas, porque nós vamos pagar tudo, desde os salários dos dirigentes do conselho de administração, até ao papel para impressão das nossas próprias faturas. Tudo é pago por nós. Se esses aumentos não acontecerem logo no início do ano, será logo a seguir às eleições autárquicas do próximo ano”.

 Sendo que a empresa afirma que o incremento na faturação foi devido a ‘incorrecções’, não acha contraditório a ADAM afirmar de igual forma que disponibilizará a possibilidade de solicitação de pagamento em prestações, sem aplicação de juros? Fernando Viana, 49 anos, segurança privado e natural de Viana do Castelo responde: “isso é uma afirmação absurda. Se o erro é da ADAM esta terá de o corrigir sem penalizar os munícipes”.

 Quisemos saber de igual forma se, na opinião dos nossos entrevistados, será ético que alguns autarcas façam também parte do conselho diretivo da ADAM? A Cláudia Labrujó, 42 anos, escrituraria, natural de Valença esclarece que “eu pessoalmente, e não com suporte legal (porque se por ai envereda-se teríamos muita matéria a ser analisada) penso que, a ter de existir esta parceria, os Municípios teriam de ter a maior parte possível do Capital social, assim, é óbvio que os autarcas (em função) deveriam encabeçar a gestão desta empresa. Findo o mandato, o novo mandato passaria a ter lugar não permitindo, desta forma, aos ex autarcas terem qualquer tipo de funções neste tipo de empresas como neste momento está a ocorrer neste momento no qual, ex autarcas com outras funções políticas, ainda pertencem aos quadros sociais desta empresa. Coisa que consideramos uma total falta de ética e legalidade, para somar a outras tantas ilegalidades que esta empresa tem vindo a cometer, desde a sua constituição”.

 Era importante de igual forma, tentar determinar o eventual peso que as queixas e as manifestações sociais tiveram na toma de posição por parte da empresa. Tendo como premissa que, o grupo Gentes d´Viana tem sido um dos grupos mais ativos nesta questão, perguntamos sente que o grupo terá sido fulcral para esta tomada de posição por parte da ADAM e os sete concelhos que a compõe? Ao qual Liliana Silva respondeu: “a posição da ADAM é sobre os erros da faturação, e acho que o grupo foi fundamental, sem dúvida. As pessoas quando se unem por uma causa criam sinergias que fazem mover o mundo. É de louvar e saudar a participação cívica de todos e a forma correta e com elevação como têm tratado este tema, até hoje.

A empresa emitiu o comunicado com as medidas a serem desenvolvidas. Acha que as manifestações irão continuar? Pedro Costa culmina “da parte da maioria dos colegas e das pessoas que interagem no grupo, não só vai continuar como vai endurecer. Se não forem revistos os preços e as tarifas, os protestos vão aumentar e subir de tom. Estão já programadas novas iniciativas à porta dos sete municípios, logo que seja possível. O objetivo, é entregar as faturas diretamente aos sete presidentes de câmara.  

 Vanessa Reitor 

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