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Gula, luxúria, soberba e inveja ao alcance dum clique

Estamos na era tecnológica, do divertimento ao alcance dum ‘clique’. Um destes dias, enquanto navegava pela net deparei-me com esta imagem

Ela constitui a modernização dos já tão antigos sete pecados capitais: preguiça, gula, inveja, ira, avareza, luxúria e soberba. É uma imagem que tem tanto de verdadeira, como de assustadora, e preocupante. Eu própria consegui reconhecer alguns desses ‘pecados’ em mim e fiquei a pensar: por vezes, sem nos apercebermos, vivemos uma vida vazia. Quando damos por nós estamos colados ao telemóvel, a vasculhar ‘a maravilhosa vida’ de fulano ou sicrano, ou então, em vez de estarmos a oferecer tempo de qualidade aos nossos filhos, brincando com eles, ou tentando perceber o que sentem e pensam -por exemplo- estamos deitados no sofá, a ver o vigésimo capitulo, do décimo episódio duma série qualquer estrangeira que nos faz parecer zombies colados ao ecrã, e sem sermos capazes de mediar palavra com a nossa família.

Vivemos obcecados com a imagem, com os ‘likes’ que conseguimos obter nas redes sociais, com a quantidade de alminhas que conseguimos despertar ao postarmos uma fotografia nossa, a mostrar as maravilhas físicas com as quais Deus nos dotou -ou não! Sempre tão preocupados com o reconhecimento social. Com a popularidade! A soberba leva-nos a isso. A querer mostrar, vociferar o quão maravilhosa é a nossa vida. Querendo sempre fotografar todos e cada uns dos acontecimentos do nosso dia-a-dia. Querendo imortalizar as vivências solitárias e vaidosas que temos, mas que certamente ‘encherão’ o olho de alguém! E nos fará sentir um tanto menos miseráveis.

Dia após dia perdemos a capacidade de assombro! Para nós -aos poucos- tudo se vai tornando tão normal que já nada nos pode surpreender. As pequenas vitórias da nossa vida tornam-se conteúdo apto para ser publicado onde quer que seja. Já não sabemos o que significa desfrutar dum serão em família, sem tecnologia por perto. Desfrutar duma saída entre amigos sem estarmos a competir, inconscientemente, pela melhor fotografia da noite.

Infelizmente somos a personificação da desumanização! Tudo tão artificial, tão tecnológico, mas tão mais frívolo, que até os pecados já encontraram o seu remake no digital!

Vanessa Reitor

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