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CORAÇÕES SOLIDÁRIOS? SÓ NA BARCA!

A solidariedade é coisa rara nos dias de hoje. O salário mínimo de um português é de, sensivelmente, 600€. Não é um segredo para ninguém que é um valor demasiado baixo, para o alto custo da vida. Um valor demasiado baixo para ter de ser suar tanto.  Mas apesar das dificuldades ainda encontramos pessoas solidárias e por vezes, bem perto de nós!

Tu que estás a ler este texto o que pensarias se eu te dissesse que há um grupo de jovens barquenses, que provavelmente já atenderam o teu pedido numa pastelaria em Ponte da Barca, que se tornaram, recentemente, a equipa mais altruísta de todo o Concelho? Sim, assim como estás a ler: Cláudia, Joel, Tânia e Fernando são os seus nomes e vou explicar-te o por quê de merecerem os nossos mais sinceros parabéns.

Durante alguns meses, e para conseguir ajudar o Armindo no seu sonho de publicar um livro, pusemos em todas as pastelarias de Ponte da Barca, mealheiros identificados com a causa.  Cada certo tempo levantávamos os mealheiros para fazer o ponto de situação do dinheiro angariado. Da primeira vez achamos formidável que o único mealheiro que recolhemos e que estava a abarrotar foi o da pastelaria onde eles trabalham. Que bom, pensamos! Oxalá todos estejam assim, porque rapidamente iremos conseguir concretizar o sonho do Armindo.

A Cláudia -na altura- disse-nos que ela e todos os seus colegas tinham ficado sensibilizados com a história do Armindo e que sempre que podiam, incentivavam os clientes a deixarem no mealheiro uma ‘moedita’. Que gesto tão bonito pensei eu! Realmente o mealheiro completamente cheio era uma amostra de um trabalho quase de formiguinha daquela equipa. Que dia após dia, apelava à boa vontade dos clientes.

Entre tanto, a campanha continuava a decorrer e decidimos repor os mealheiros. Desta vez apostamos em sítios diferentes, para tentar ‘apanhar’ outras pessoas. Debatemo-nos muito com o facto de colocarmos na pastelaria desta equipa: se calhar ali já não terá sucesso. As pessoas já conhecem a campanha e, dificilmente, repetirão o seu contributo (…) mas ateimamos e pusemos lá novamente. Confesso que sem muita esperança.

Os dias transcorreram e esta semana, decidimos ir levantar novamente os mealheiros do segundo round, e a surpresa foi enorme! Mais uma vez, esta equipa de jovens: Cláudia, Tânia, Joel e Fernando conseguiram ser novamente os únicos a encherem o mealheiro. Muito feliz agradeci o empenho que eles puseram nesta tarefa, que nem sequer era deles, e eles, com uma humildade digna de ‘tirar o chapéu’ confessaram: “não nos custa nada ajudar. O Armindo, e todas as pessoas como ele, precisam ajuda. E nós temos saúde e um emprego. No final do mês, temos o nosso ordenado, mas o Armindo e muitos como ele, não. Por isso quisemos ajudar da melhor forma que conseguimos. As nossas gorjetas foram todas para esse mealheiro”.

Nesse momento a admiração invadiu-me. E atenção, eles disseram isto não com o intuito de se gabarem, mas sim com o orgulho de quem fez aquilo que estava ao seu alcance para ajudar. Deixando o que lhe pertence, e que ganhou com tato esforço. E isso meus amigos, é uma real e verdadeira demonstração do que significa ser solidário!

Por isso quis fazer este texto, contar esta história, para que todas as pessoas que o leiam fiquem a saber do altruísmo e a bondade desta equipa de jovens e pensem, assim como eu, que nem tudo neste mundo está perdido!

Parabéns à grande equipa!

Vanessa Reitor

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