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Uma atitude acertada nesta sociedade de banalidades!

Texto: www.minhodigital.com 

Autora: Vanessa Reitor

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Festejamos por estes dias, um pouco por todas as vilas e terriolas do nosso país, o Halloween. Uma festividade estrangeira, que ao que parece, tem ganho cada vez mais força, e arraigo, nas sociedades. Portugal não é exceção à regra e cada ano, vemos festas, convívios e pessoas mascaradas. Desde miúdos até graúdos a viverem o espírito do dia das bruxas, como se de uma festa patronal se tratasse e é nestes dias de tradições recém-nascidas, que muitas famílias se deparam com um grande problema.

Todos nós vivemos em sociedade, somos seres sociais por natureza. E o nosso processo de sociabilização começa, precisamente, na escola. É ali onde aprendemos a tratar e conviver com os nossos iguais, onde aprendemos a ler, a escrever, e infelizmente também se aprende -por vezes- que o mundo é desigual e que não todos temos as mesmas possibilidades ou vivemos a mesma realidade. E é à propósito da festa do Halloween, e de uma notificação escrita no caderno de recados da escolinha da minha filha Camila, que comecei a divagar, acerca de este assunto: a igualdade -ou desigualdade- dos nossos filhos na escola.

Estávamos próximos do Halloween e em muitas escolas costuma-se, já há alguns anos, levar as crianças mascaradas, vivendo desta forma um carnaval antecipado, mas com uma conotação um tanto terrorífica e assim, vemos um desfile de pequenas -e grandes- bruxinhas, caveiras, esqueletos, monstros, cabaças e demais personagens um tanto assustadoras.  Como mãe, já tinha passado algumas horas a pensar como mascaria a minha filha, caso na escola se festejasse esse dia. Perdi alguns minutos do meu dia a refletir como era desnecessário ter de investir -ou então dar rédea solta à imaginação e os trabalhos manuais- para dar à minha filha um visual que a deixasse à altura do acontecimento até que, com muita admiração e alívio, deparei com o tal recado no caderno da escolinha que a grosso, modo dizia: “agradecemos a todos os país e representantes que no dia de Halloween, 31 de outubro, não tragam mascarados (as) os vossos (as) filhos (as). Como não reconhecemos a festa do Halloween como sendo da nossa cultura e tradição e nem todas as crianças que frequentam a nossa creche/jardim de infância, têm a mesma situação financeira, agradecemos que não tragam as vossas crianças mascaradas. E assim tratamos a todos por igual”.

São estas as atitudes que -pelo menos a mim, enquanto cidadã- me fazem acreditar que ainda há pessoas com bom senso. Que não olham às tendências sociais nem às modas e que se preocupam pelo que é realmente importante: ensinar valores e fazer que pelo menos naquele espaço, as crianças se sintam confortáveis e vivam a inocência e o conforto de não se sentirem diferentes ou discriminados. Como mãe, felicito à creche e jardim de infância do Centro Social e Paroquial de Arcos de Valdevez, por esta atitude acertada e assertiva.

E felicito a instituição porque cada vez mais a nossa sociedade é discriminatória e banal. Cada vez mais os nossos filhos deparam-se diariamente com a realidade das diferenças. Com isto, não quero dizer que se deva criar os nossos filhos numa bolha, numa realidade paralela e inexistente, mas as diferenças já são tantas -e tão vincadas- que é cada vez mais necessário libertar as nossas crianças, jovens, escolas, cidades e sociedades, do flagelo que significa a constante concorrência e a luta que nós país, travamos quando, muitas vezes sem puder, damos aos nossos filhos objectos, roupas, sapatos ou tecnologias, só para tentar minorar as diferenças, tentando assim, que não sejam alvo da discriminação.

 

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