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ECOS ECRÃNICOS Ikigai: Uma razão para viver

Um pasquim tradicional, em papel, tem uma secção de opinião. Mas este é um pasquim digital. Por isso, tem algo mais do que simples opiniões. Como mora no ecrã, nesta secção – ECOS ECRÃNICOS – faz-se uma fusão entre fotografia, vídeo e informação útil, conectada com outras fontes.

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1. IKIGAI: UMA RAZÃO PARA VIVER (por Pedro Rodrigues Costa)

Uma das razões da filosofia sempre foi responder, ainda que indiretamente, à pergunta: COMO SER FELIZ?
Os japoneses encontraram uma resposta. Chama-se IKIGAI.
No sul do Japão, na região de Okinawa (formada por um grupo de ilhas), foi desenvolvida uma filosofia de vida que tem como propósito “atingir” o IKIGAI. Este significa, em tradução aproximada, “encontrar um propósito de vida para ser feliz” (Ken Mogi, autor do livro IKIGAI).
Funcionando como “uma razão para viver”, o IKIGAI organiza-se em torno de 4 círculos que devem responder às seguintes questões:
  1. O que gosta de fazer?
  2. O que é que faz bem?
  3. Em que é que pode ser pago para fazer?
  4. O que é que é bom e útil para o mundo?
Para isso, o IKIGAI organiza-se em torno de 10 leis:
  1. Mantenha-se ativo, mesmo depois da reforma.
  2. Faça tudo com calma
  3. Não coma até ficar cheio
  4. Rodeie-se de bons amigos
  5. Esteja em permanente contacto com a natureza
  6. Sorria. Muito.
  7. Mantenha-se em forma
  8. Agradeça constantemente
  9. Viva o momento
  10. Seja persistente. Pratique a resiliência
Embora pareça fácil, por detrás destas 10 leis existem inúmeros ensinamentos e conhecimentos práticos e científicos de grande valor. Mas, acima de tudo, é fundamental uma enorme DISCIPLINA.
Saiba mais sobre o IKIGAI aqui:

Por que é que estas 10 leis funcionam? Quais as ciências que estão por detrás do IKIGAI?
Lei 1. Mantenha-se ativo.  “Quem abandona as coisas que ama e sabe fazer, perde o sentido da vida. Assim sendo, mesmo depois de terminar a sua vida laboral ‘oficial’ é importante continuar a fazer coisas que tenham valor”. Embora o sentido de vida seja sempre subjetivo, diga respeito a cada um, é fundamental a sensação psicológica de utilidade.
Lei 2. Faça tudo com calma. Os autores do livro IKIGAI realçam este aspeto: “Um stress prolongado no tempo é degenerativo, já que um estado de alerta permanente afeta os neurónios associados à memória e produz uma inibição da secreção de algumas hormonas, cuja carência pode causar depressão”. É então fundamental controlar os fatores associados ao stress: ansiedade, depressão, pressa ou impaciência.
Lei 3. Não coma até ficar cheio. Já ouviu falar da regra 80-20? Isto é, 80% saciado e 20% de fome. De acordo com as leis do IKIGAI, é assim que o seu estômago deve ficar. Saciado mas não cheio. Com ligeira fome. Porquê? Porque assim não obriga o corpo a desgastar-se e a acelerar a oxidação celular para poder fazer uma digestão prolongada. Não acelerar o metabolismo faz poupar todos os órgãos.
Lei 4. Rodeie-se de bons amigos. As relações tóxicas geram frustração, ansiedade e mal-estar. Pelo contrário, estar com pessoas positivas, otimistas e divertidas, desde que respeitosas, gratas e leais, aumenta a autoestima, a realização pessoal e a boa disposição. Como sugere o livro, os amigos “são o melhor remédio para esquecermos as preocupações com uma boa conversa, para contar e ouvir histórias que nos façam sorrir, para pedir conselhos, para nos divertirmos, para compartilhar e sonhar”.
Lei 5. Esteja em contato com a natureza. Tomar um “banho de natureza” é talvez dos meios mais eficazes para combater o stress do trabalho. “Os sons da floresta, o aroma das árvores, a luz do sol através das folhas, a frescura, o ar puro – estas coisas dão-nos uma enorme sensação de bem-estar. Reduzem a nossa ansiedade, ajudam-nos a relaxar e a pensar melhor” (ver mais em http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2018-06-30-Descubra-a-shinrin-yoku-a-terapia-japonesa-dos-banhos-de-floresta).
Lei 6. Sorria. Muito. As pessoas que vivem mais anos têm em comum duas atitudes: o positivismo e uma elevada expressividade emocional (estudo da Universidade de Yeshiva). Isso contribui para uma anulação dos fatores “depressão” e “ansiedade”, aumentando por isso a longevidade e melhorando a saúde mental.
Lei 7. Mantenha-se em forma. Uma boa forma física permite um bom funcionamento dos órgãos. Além disso, evita que a gordura se acumule e como tal contribui para melhor circulação e fluxo sanguíneo. Entre todas as atividades físicas, a caminhada por prazer, de preferência junto da natureza, é a mais eficaz.
Lei 8. Agradeça constantemente. Convém não esquecer que “tudo o que temos e todas as pessoas que amamos em algum momento desaparecerão. E isso é algo que devemos ter sempre em mente, sem sermos pessimistas”, diz o livro IKIGAI. Agradecer a vida e os momentos é um modo de estar em sintonia com o que nos rodeia. E isso é apreciado pelo outro, gerando respostas empáticas e positivas. Faça-o constantemente.
Lei 9. Viva o momento. Viver o momento não é fazer tudo o que vem à mente. É focar o presente, o momento, a tarefa que temos que enfrentar. Sem saudosismos ou futurismos. Como se diz nas artes marciais, “pensar demais” significa utilizar partes que não são naturais para agir, como o passado reprimido ou o futuro idealizado. É preciso deixar também o corpo e a memória corporal tomar parte da ação. Isto implica o foco na tarefa tendo a relação corpo-mente em perfeita sintonia. Ao focar o momento e a tarefa, sem pensar no passado ou no presente, vai diminuir o stress e criar o vazio saudável para agir em sintonia e sem perturbações exteriores.
Lei 10. Seja persistente. Pratique a resiliência. O espírito “nunca desistir”, ou no japonês OSU, significa “não se desanimar nunca, nem no limite”. Isto exige prática. E sobretudo força mental: “Uma pessoa resiliente sabe concentrar-se nos seus objetivos, naquilo que é importante, sem desanimar”. No filme O ÚLTIMO SAMURAI, o OSU é a marca de um não japonês, Nathan Algren (Tom Cruise). Mesmo sabendo que não seria fácil lutar contra um samurai, Algren demonstra a sua resiliência, o seu OSU, de modo comovente. Queria provar ao samurai que não tinha culpa de estar a lutar. Que acreditava não estar a fazer mal algum. A vida deve ser enfrentada assim: se as nossas intenções forem justas e honestas, quanto mais ela nos derruba, maior deverá ser a nossa resposta. OSU é uma forma de estar que responde ao envelhecimento e à morte. O espírito OSU é uma forma de mostrar a “razão para viver”.
Veja aqui essa parte do filme:

 

 

 

 

 

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